Assisti ao documentário “Uma Verdade Inconveniente“, lançado em 2006, e ele me impactou profundamente, despertando minha consciência sobre as mudanças climáticas.
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Apresentado por Al Gore, o filme revelou como o aumento das emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO₂), está acelerando o aquecimento global, com consequências devastadoras para o planeta.
Como alguém da Geração Baby Boomer, cresci em uma época em que o impacto ambiental das nossas ações não era tão discutido quanto é hoje. Convivi, na juventude, com a Geração X, que começou a enxergar o mundo de forma diferente. Ao longo da minha carreira, trabalhei com centenas de Millennials (Geração Y) e tenho dois filhos dessa geração, que já abraçam causas ambientais com mais consciência. Tornei-me vegetariano em 2001, como um reflexo dessa preocupação. No entanto, é olhando para a Geração Z que vejo a possibilidade de uma mudança real de hábitos, algo que as gerações anteriores talvez não tenham tido coragem de fazer por completo.

Os netos
Meus três netos pertencem à Geração Alfa e ainda não compreendem totalmente a necessidade de reduzirmos drasticamente as emissões de gases como o CO₂. Se não agirmos agora, estaremos empurrando o planeta para uma situação irreversível. Embora alguns cenários possam parecer distantes, os impactos já são cada vez mais visíveis.
Como diz meu amigo Luiz Goi: “O que estamos fazendo diariamente que contribui para a destruição do meio ambiente?” Cada escolha conta, e é justamente aí que as novas gerações têm uma oportunidade incrível de fazer diferente. Nossos pais tiveram tempo, mas não tinham conhecimento. Hoje temos o conhecimento, mas talvez não tenhamos mais tempo. E quanto à Geração Beta, que nasce a partir de 2025?
O impacto das queimadas na Amazônia
Um exemplo claro do impacto humano no clima foi a situação da Amazônia, que enfrentou queimadas devastadoras em 2024, liberando 31 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera – o equivalente às emissões de todo o Reino Unido em um único mês. Isso evidencia o quanto a destruição de florestas tropicais afeta diretamente o clima global.
Além do dióxido de carbono, as queimadas emitem outros gases nocivos, como metano (CH₄) e monóxido de carbono (CO), que agravam ainda mais o efeito estufa. Esses números preocupantes são apenas uma parte da equação, pois a Amazônia é um dos principais reguladores do clima terrestre. Sua destruição não apenas libera grandes quantidades de carbono armazenado, mas também reduz sua capacidade de absorver CO₂, acelerando ainda mais o aquecimento global.
O papel da Pecuária no desmatamento
Grande parte do desmatamento na Amazônia é causada pela pecuária, que ocupa cerca de 80% das áreas desmatadas. Isso significa que a carne que chega aos nossos pratos está, muitas vezes, ligada à destruição da maior floresta tropical do mundo. Grandes empresas do setor dominam essa região, contribuindo para a expansão das áreas de pastagem e a consequente perda da floresta.
A Geração Z: A Esperança de Mudança
Como alguém que já viveu muitas fases da sociedade, acredito que a Geração Z tem o poder de fazer o que nós, Baby Boomers, a Geração X e até mesmo os Millennials, não conseguimos. Vocês cresceram em um mundo conectado, onde as informações sobre a crise climática estão ao alcance de todos. Vocês sabem que escolhas diárias — como pressionar empresas a adotarem práticas sustentáveis e lutar por políticas públicas ambientais — têm um impacto real.
Se antes havia falta de conhecimento e coragem para enfrentar esse problema de frente, a Geração Z parece estar mais preparada e disposta a abraçar essa responsabilidade. Já vemos jovens liderando movimentos globais pela sustentabilidade, pressionando líderes políticos e empresas a mudarem seus hábitos. Vocês têm a oportunidade de transformar essa “verdade inconveniente” em um ponto de virada.
Conclusão
O documentário de Al Gore pode ter sido lançado há quase 20 anos, mas sua mensagem continua atual e urgente. As queimadas na Amazônia e o desmatamento desenfreado são lembretes de que os governos não estão agindo na velocidade necessária e que o tempo para mudanças está se esgotando.
O Brasil sediará a COP30, e a questão que permanece é: veremos mais promessas vazias, protocolos ineficazes e procrastinação, ou finalmente testemunharemos ações concretas e eficazes? A resposta está, em grande parte, nas mãos das novas gerações.
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